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COMUNIDADES
A seguir, um pouco da história das comunidades judaicas nos países árabes,
desde suas origens até a quase extinção nos dias atuais. Clique no menu ao lado para ir direto a uma comunidade de seu
interesse.
INTRODUÇÃO
Os judeus vivem no Oriente Médio, Norte da África e na região do Golfo há
vários séculos. Houve uma presença ininterrupta de grandes comunidades
judaicas no Oriente Médio desde os tempos remotos, mais de 2.500 anos
antes do nascimento dos estados árabes modernos. Veja a época em que
algumas delas surgiram:
Iraque - século
6 a
.C.
Líbia - século
3 a
.C.
Iêmen - século
3 a
.C.
Líbano - século
1 a
.C.
Síria - século
1 a
.C.
Marrocos - século 1 d.C.
Argélia - séculos 1 e 2 d.C.
Tunísia – século 2 d.C.
Após a conquista da região pelos muçulmanos, sob o domínio
islâmico os judeus passaram a ser considerados cidadãos de segunda
classe, mas a eles eram permitidas, durante um determinado período,
oportunidades religiosas, educacionais, profissionais e empresariais
limitadas.
Isso mudou no século 20, quando ocorreu um padrão de perseguição
consistente e difundido e violações em massa dos direitos humanos das
minorias judaicas em países árabes. Decretos e legislações oficiais
aprovados pelos regimes árabes negaram direitos humanos e civis aos
judeus e às outras minorias; suas propriedades foram desapropriadas; eles
foram privados de sua cidadania e de seu sustento. Os judeus eram
frequentemente vítimas de assassinato, prisões e detenções arbitrárias,
tortura e expulsões.
Com a declaração do Estado de Israel em 1948, o status dos judeus nos países árabes
piorou drasticamente à medida que muitos países árabes declararam ou
apoiaram guerra contra Israel. Os judeus foram, então, expulsos dos
países onde residiam há anos e tornaram-se reféns políticos dominados do
conflito árabe-israelense.
Os direitos e a segurança dos judeus residentes em países árabes
passaram a ser atacados física e legalmente pelos governos e pela
população de um modo geral. Na Síria, por causa das perseguições
anti-judaicas em Alepo, em 1947, dos 10 mil
judeus da cidade, 7 mil fugiram do terror. No
Iraque, o “sionismo” tornou-se um crime
capital. Mais de 70 judeus foram assassinados por bombas na região
judaica do Cairo, no Egito. Após os franceses terem desocupado a Argélia,
as autoridades emitiram uma variedade de decretos anti-judeus que induziram os quase 160 mil judeus a fugirem prontamente do país. Após
a Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre o Plano de
Partilha, em 1947, amotinadores muçulmanos deram início a perseguições sanguinárias em Áden e Iêmen que acabaram causando
a morte de 82 judeus. Em diversos países os judeus foram expulsos ou
tiveram sua cidadania revogada (como, por exemplo, na Líbia). Inúmeros
judeus fugiram de 10 países árabes. Eles se tornaram refugiados em uma
região predominantemente hostil aos judeus.
As restrições sancionadas pelo estado, freqüentemente associadas à
violência e repressão, forçaram um deslocamento em massa dos judeus.
Resultado: mais de 850 mil judeus foram expulsos das terras que eles e
seus ancestrais viviam há várias gerações. Saiba mais sobre estas comunidades:
EGITO

Bar Mitzvah de gêmeos, Cairo, Egito,
1930.
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Histórico
Os judeus vivem no Egito desde os tempos bíblicos. As tribos
israelitas mudaram-se inicialmente para a terra de Goshen (extremo nordeste do delta do Nilo) durante o reinado do faraó egípcio Amenhotep IV (1375-1358 b.C.).
Ao longo dos anos, os judeus buscaram abrigo e habitaram o
Egito. Em 1897, havia mais de 25 mil judeus no Egito, a maior parte
deles concentrada nas cidades do Cairo e Alexandria. Em
1937, a
população
alcançou 63.500 judeus.
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Na década de 1940, com o crescimento do nacionalismo egípcio e os
esforços do movimento sionista para criar uma terra natal judaica adjunta
a Israel, as atividades anti-judaicas começaram
a surgir com mais intensidade. Em 1945, as agitações começaram – dez
judeus foram mortos, 350 ficaram feridos e uma sinagoga, um hospital
judeu e um lar para idosos foram incendiados.
Após o sucesso do movimento sionista em estabelecer o Estado de Israel,
medidas violentas e repressoras vindas do governo e dos cidadãos egípcios
tiveram início entre junho e novembro de 1948. Bombas foram postas no
quartel judeu, matando mais de 70 judeus e ferindo cerca de 200. As
agitações nos meses que se seguiram resultaram em muitas outras mortes.
Dois mil judeus foram presos e muitos tiveram suas propriedades confiscadas.
Em 1956, o governo egípcio usou a Campanha do Sinai como pretexto
para expulsar aproximadamente 25 mil judeus egípcios do país e confiscar
suas propriedades. A eles foi permitido levar do país apenas uma mala e
uma pequena quantidade de dinheiro, e todos foram obrigados a assinar documentos “doando” suas propriedades
ao governo egípcio. Aproximadamente mil outros judeus foram presos ou
mandados para campos de concentração. Em 23 de novembro de 1956, um
manifesto, assinado pelo Ministro de Assuntos Religiosos e lido em voz
alta pelas mesquitas de todo o Egito, declarava que “todos os judeus são sionistas e inimigos do Estado”, e prometeu que todos
seriam, em breve, expulsos (AP, 26 e 29 de novembro de 1956; New York World Telegram).
Em
1957, a
população judaica no Egito ja tinha caído para
15 mil. Em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, houve uma nova onda de
perseguições, e a comunidade judaica caiu para 2.500. Na década de 1970,
após ser dada aos judeus remanescentes a permissão de deixar o país, a comunidade
reduziu-se a algumas poucas famílias.
Os direitos dos judeus foram finalmente recuperados em 1979,
depois que o presidente Anwar Sadat assinou o Acordo de Camp David com Israel. Somente então foi permitido à comunidade estabelecer
laços com Israel e com a coletividade judaica no mundo. Os quase 200
judeus deixados no Egito são agora idosos, e a comunidade judaica do
país, outrora orgulhosa e crescente, está agora praticamente extinta.
Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas alguns exemplos)
O primeiro Código de Nacionalidade foi promulgado pelo Egito em 26
de maio de 1926. Somente tinham direito à nacionalidade egípcia aqueles “pertencesse racialmente à maioria da população de um
país cuja língua seja o árabe ou cuja religião seja a islâmica”. 2 Esta cláusula serviu como pretexto oficial para
expulsar muitos judeus do Egito.
Em 9 de julho de 1947, uma emenda foi
introduzida à Lei das Empresas Egípcias, tornando obrigatório a uma
empresa que 75% dos empregados de setores administrativos e 90% dos
empregados em geral fossem cidadãos egípcios. Isto resultou na demissão e
na impossibilidade de conseguir novos empregos para muitos judeus, pois
apenas 15% da população judaica possuía a
cidadania egípcia. 3
Os judeus partiram em massa do Egito quando foi criada uma nova
emenda, em 1956, retificando a Lei de Nacionalidade Egípcia de 1926. O
Artigo 1 da lei de 22 de novembro de 1956
estipulava que os “sionistas” fossem proibidos
de receber a cidadania egípcia. 4 O Artigo 18 da
lei de 1956 reforçava ainda que “a nacionalidade egípcia poderia ser retirada, por ordem do Ministério de Relações
Interiores, em caso de pessoas classificadas como sionistas”. Além disso,
o termo "sionista” nunca foi definido, deixando
então que as autoridades egípcias o interpretassem como bem entendessem.
As cláusulas nas leis de 1956 e 1958 permitiram que o governo
retirasse a cidadania de qualquer judeu egípcio que estivesse ausente do
território da RAU (República Árabe Unida) por mais de seis meses consecutivos.
O que prova que estas cláusulas foram feitas para atingir exclusivamente
os judeus é o fato de que as listas de pessoas desnaturalizadas,
publicadas de tempos em tempos pelo Diário Oficial, continham apenas
nomes judeus, apesar de muitos outros egípcios não-judeus terem se
ausentado por mais de seis meses do território egípcio. 5
Discriminação econômica e estrangulamento (apenas alguns exemplos)
A lei nº 26 de 1952 obrigava todas as
empresas a empregar percentagens pré-determinadas de “egípcios”.
Um grande número de empregados judeus assalariados perdeu seus empregos,
e não conseguiram outros, porque não pertenciam à categoria de judeus que
possuía nacionalidade egípcia.
Entre 1 e 20 de novembro de 1956,
registros oficiais revelam que, por uma série de ordens de confisco dadas
pela Proclamação Militar nº 4, as propriedades
de muitas centenas de judeus no Egito foi retirada de seus donos e
entregue a administradores egípcios. A Proclamação nº 4 foi posta em prática quase que exclusivamente em judeus; e ainda que um
pequeno número de coptas e muçulmanos tenham sido também prisioneiros de
guerra, seus pertences nunca foram tomados. 7
Das listas publicadas contendo 486 pessoas e empresas cujas
propriedades foram retiradas pela Proclamação Militar nº 4, pelo menos 95% dos nomes eram judeus. Os nomes de pessoas e empresas
afetadas por esta medida representa o volume
econômico substancial representado pelos judeus no Egito, as maiores e
mais importantes empresas e seu sustento principal, por meio de contribuições
voluntárias, de instituições judaicas religiosas, educacionais, sociais e
de bem-estar social no Egito. 8
Além do confisco de propriedade e outros tratamentos
discriminatórios, a Diretiva nº 189 criada sob a autoridade da Proclamação Militar nº 4, autorizava que o Diretor Geral da Agência de Confisco deduzisse, dos
pertences de pessoas presas na guerra, 10% do valor total das
propriedades confiscadas, alegando ser este para cobrir custos
administrativos. A partir disso, sem nenhuma preocupação em relação à
legalidade do confisco de propriedades, os judeus do Egito passaram a
pagar taxas pela maquinaria ou por confisco e retenção impróprios. 9
Os judeus que deixavam o Egito eram sujeitos a privações e
inconveniências adicionais. Uma regra foi estabelecida autorizando judeus
que deixassem o Egito a levar com eles cheques de viagem ou outros
documentos de troca no valor máximo de
100 libras
esterlinas por pessoa. O Banco do Egito fornecia aos judeus que saíam do
país instrumentos criados especificamente para contas egípcias na
Inglaterra e França, quando as autoridades egípcias sabiam muito bem que
tais contas eram bloqueadas em reciprocidade ao bloqueio egípcio de
pertences ingleses e franceses, e que não eram livremente negociados fora
do país. 10
IRAQUE

Cerimonial de memória para Menahem Salah Daniel, líder da comunidade judaica de Bagdá.
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Histórico
O Iraque é a designação moderna para um país estabelecido com a
antiga Babilônia, a Assíria e a parte sul da Turquia após a Primeira
Guerra Mundial.
O Iraque é também o lugar da mais antiga diáspora judaica, a de
história contínua mais longa, de 721 b.C. a
1949 a
.C., uma faixa de tempo de 2670
anos.
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Comerciantes
judeus de Bagdá
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No século III, a Babilônia tornou-se o centro do conhecimento
judaico, como é confirmado pela contribuição mais influente do
conhecimento judaico à comunidade, o Talmude babilônico. Os judeus
prosperaram no que era então a Babilônia por 1200 anos antes da Conquista
Muçulmana em 634 d.C. Sob controle dos muçulmanos, a situação da
comunidade judaica tornou-se instável. Alguns judeus possuíam altos
cargos de governo ou prosperavam com o comércio e as trocas. Ao mesmo
tempo, outros judeus eram submetidos a taxas especiais e restrições em
suas atividades profissionais. Sob o controle britânico, que começou em
1927, os judeus iam bem economicamente, mas todo este progresso cessou
quando o Iraque conquistou sua independência em 1932.
Em junho de 1941, o golpe de Rashid Ali,
de apoio aos nazistas e inspirado pelo Mufti, iniciou uma série de manifestações e
perseguições
em
Bagdá. Multidões
de iraquianos armados assassinaram 180
judeus e feriram outros mil.
Insurreições adicionais de manifestações anti-judaicas ocorreram entre 1946 e 1949. Após o estabelecimento de Israel em 1948, o
sionismo tornou-se um crime capital.

Judia iraquiana
foge com seu filho
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Em 1950, foi permitido que os judeus iraquianos deixassem o país
em um ano caso desistissem de suas cidadanias. Um ano mais tarde, no
entanto, as propriedades dos judeus que emigraram foram congeladas e
restrições econômicas foram dadas aos judeus que permaneceram no país.
De
1949 a
1951, 104 mil judeus foram expulsos do Iraque na Operação Ezra e Nehemiah, outros 20 mil foram retirados
clandestinamente pelo Irã. Assim, uma comunidade que chegou a 150 mil
pessoas em 1947 rapidamente se reduziu a seis mil depois de 1951.
Em 1952, o governo do Iraque barrou os judeus de imigrarem. Com
a ascensão de facções rivais Ba’ath em 1963,
restrições adicionais foram impostas aos judeus iraquianos
remanescentes. A venda de propriedades foi proibida e todos os judeus
foram forçados a carregar cartões de idntidade amarelos. As perseguições continuaram, especialmente após a Guerra dos
Seis Dias em 1967, quando muitos dos três mil judeus restantes foram
presos e demitidos de seus empregos. Por volta desta época, medidas
mais repressoras foram tomadas: as propriedades dos judeus foram
tomadas; as contas bancárias, congeladas; os judeus foram despedidos de
cargos públicos; lojas foram fechadas; licenças comerciais foram
canceladas; telefones foram desligados. Os judeus foram colocados em
prisão domiciliar por longos períodos de tempo, ou ficavam restritos a suas próprias cidades.
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As perseguições chegaram ao seu limite máximo no final de 1968. Grupos
de judeus eram presos sob alegação de descobertas de “grupos de espiões” compostos por empresários judeus. Quatorze homens – sendo
onze deles judeus – foram sentenciados à morte em julgamentos encenados
e, em 27 de Janeiro de 1969, foram enforcados em praças públicas de
Bagdá; outros morreram sob tortura (Judith Miller e Laurie Mylroie, “Saddam Hussein and the Crisis in the Gulf”, p. 34).
Em resposta à pressões internacionais, o
governo de Bagdá silenciosamente permitiu que a maior parte dos judeus que
restavam emigrassem no início da década de 1970, mesmo enquanto outras
restrições eram mantidas. Em
1973, a
maior parte dos judeus iraquianos restantes estavam velhos demais para saírem do país e foram pressionados pelo governo a
entregar títulos, sem compensações, de propriedades judaicas no valor de
mais de 200 milhões (New York Times,
18 de fevereiro de 1973).
Hoje, aproximadamente 61 judeus permanecem ainda
em Bagdá. O
que fora
um dia uma comunidade crescente de judeus no Iraque encontra-se hoje extinta
(Associated Press,
28 de março de 1998).
Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas
alguns exemplos)
A primeira fração de legislação posta em prática que violou os
direitos dos judeus foi a emenda 12 de 1948 para
o suplemento 13 de 1938 ao Código Penal de Bagdá. O Código Penal de Bagdá
reforçava a cláusula relacionada ao comunismo, anarquia e imoralidade da
seção 89A(1). A seção geralmente proíbe a publicação de qualquer coisa
que incite a difusão do ódio, abusos de governo ou a integridade da
população. Esta emenda, criada em 1948, adicionou o termo “sionismo” ao comunismo, anarquismo e imoralidade,
cuja propagação constituía uma ofensa com pena de sete anos de prisão
e/ou uma multa.
Em um artigo do jornal New
York Times em 16 de maio de 1948, foi registrado que “No Iraque, não é permitido que nenhum judeu deixe o
país a não ser que deixe £5,000 (cerca de 10 mil dólares) com o governo
para garantir o seu retorno. Nenhum judeu estrangeiro pode entrar no
Iraque, nem mesmo de passagem”.
A lei nº 1 de 1950, intitulada “Suplemento ao decreto cancelando a nacionalidade
iraquiana”, privava de fato os judeus da nacionalidade iraquiana. A seção
1 estipulava que “o Conselho de Ministros pode
cancelar a nacionalidade iraquiana dos judeus iraquianos que desejem por
vontade própria deixar o Iraque...”. 14
A lei nº 5 de 1951, intitulada “Lei de supervisão e administração de propriedades de
judeus que negligenciaram a nacionalidade iraquiana”, também os privava
de suas propriedades. A seção 2(a) “congelou”
as propriedades dos judeus. 15
Houve uma série de leis que subseqüentemente expandiram o confisco
de pertences e propriedades de judeus que “negligenciaram a nacionalidade iraquiana”. Entre elas está a lei nº 12 de 1951 16 e a lei anexa nº 64 de 1967 (em
relação à posse de ações em empresas comerciais), além da lei nº 10 de 1968 (em relação a restrições bancárias).
LÍBIA

Bairro dos
judeus em Trípoli
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Histórico
A comunidade judaica
da Líbia remete suas origens ao século
3 a
.C.
Na época da ocupação italiana na Líbia em 1911, havia apenas 21 mil
judeus no país, a maior parte em Tripoli.
No final da década de 1930, leis anti-judaicas foram gradualmente reforçadas, e os judeus foram sujeitos a repressões
terríveis. Ainda assim, em 1941, os judeus respondiam por um quarto da
população de Trípoli e mantinham 44 sinagogas.
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Em 1942, os alemães ocuparam o quarto judeu e tornou tudo muito
difícil para os judeus na Líbia, ainda que as condições não melhorassem
após a liberação. Durante a ocupação britânica, o crescimento do
nacionalismo árabe e do fervor anti-judaico foram as principais razões por trás de uma série de perseguições, a pior
das quais, em novembro de 1945, resultou no massacre de 140 judeus em Tripoli e regiões próximas, e na destruição de cinco
sinagogas (Howard Sachar, A History of Israel).
O estabelecimento do Estado de Israel levou muitos judeus a
deixarem o país. Em junho de 1948, em protesto à descoberta do Estado
judeu, manifestantes assassinaram outros 12 judeus e destruíram cerca
de 280 lares judeus. Ainda que a emigração fosse ilegal, mais de 3 mil judeus conseguiram fugir para Israel. Quando
os ingleses legalizaram a emigração em 1949, e nos anos que precederam
a independência do Líbano em 1951, demonstrações hostis e manifestações
contra os judeus causaram a partida de cerca de 30 mil judeus para o
norte do país, e após a Líbia ter conquistado a independência e
tornar-se membro da Liga Árabe em 1951 (Norman Stillman, The Jews of Arab Lands in Modern Times).
Decretos discriminatórios e
violações dos direitos humanos
(apenas alguns exemplos)
* O Artigo 1 da Lei nº. 62 de março de
1957, decretava, entre outras coisas, que pessoas ou empresas foram
proibidas de entrar direta ou indiretamente em contratos de
qualquer natureza com organizações ou pessoas domiciliadas em Israel,
com cidadãos israelenses ou seus representantes. A provisão desse
artigo também permitiu que o Conselho de Ministros registrasse
residentes na Líbia que fossem parentes de pessoas residentes em
Israel. 17
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Família judia da
Líbia
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·* A Lei de 31 de dezembro de 1958 foi um decreto emitido pelo
Presidente do Conselho Executivo de Tripolitania,
que ordenava a dissolução do Conselho da Comunidade Judaica e a
designação de um comissário Muçulmano nomeado pelo Governo. 18
* Em 24 de maio de 1961, uma lei foi promulgada decretando que
apenas cidadãos líbios poderiam possuir ou
transferir propriedade real. Uma prova conclusiva da posse de cidadãos líbios era requerida para ser evidenciada por uma
licença especial, confiantemente relatado de ter sido emitida para apenas
seis Judeus em sua totalidade. 19

Estudantes de
escola judaica de Trípoli
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* O Decreto Real de 8 de agosto de 1962
decretou, entre outras coisas, que um líbio perdia sua nacionalidade se tivesse tido qualquer contato com
Sionismo. A perda da nacionalidade Líbia, de acordo com essa provisão,
se estendia para qualquer pessoa que tivesse visitado Israel depois da
proclamação da independência líbia,
e qualquer pessoa julgada por ter agido moral ou materialmente em
favor dos interesses israelenses. O efeito retroativo dessa provisão
permitiu que as autoridades privassem Judeus da nacionalidade Líbia à
vontade. 20
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* Com a primeira lei nº 14, de 7 de fevereiro de 1970, o Governo líbio estabeleceu que todas as propriedades pertencentes a
"Israelitas" que deixaram o território líbio "para se estabelecer definitivamente no exterior" teriam que
passar pela Custódia Geral. Apesar do preciso fraseio da lei
("Israelitas que deixaram o território líbio para se estabelecer definitivamente no exterior"), o Governo líbio começou a tomar posse de propriedades
pertencentes a "judeus" sem se
preocupar com o fato de que esses Judeus não poderiam ser
considerados "israelitas" e não tinham "se estabelecido
definitivamente no exterior". 21
* O governo decretou a lei de 21 de julho de 1970, que afirmava
que queria "a restituição de certos recursos para o
Estado". A "lei relativa à definição de certos recursos
para o Estado" afirmou que a Custódia Geral administraria o valor
líquido das propriedades de Judeus, bem como suas empresas e ações
pertencentes a judeus. 22
ARGÉLIA

Família celebrando o Seder de Pessach - Oran, 1930.
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Histórico
O assentamento judeu na Argélia dos dias de hoje pode ser
traçado muito distante no passado. No século XIV, com a deterioração
das condições na Espanha, muitos judeus espanhóis mudaram-se para a Argélia. Após a ocupação francesa do país em 1830, os judeus
gradualmente receberam a cidadania francesa.
Decretos discriminatórios e
violações dos direitos humanos (apenas alguns exemplos)
Em 1934, os muçulmanos, incitados por eventos ocorridos na
Alemanha nazista, se agitaram em Constantina matando 25 judeus e ferindo muitos outros. Antes de 1962, havia 60
comunidades judaicas, cada uma mantendo seus próprios rabinos,
sinagogas e instituições educacionais. Após a independência da Argélia
em 1962, o governo argelino atormentou a comunidade judaica e privou os
judeus de seus direitos econômicos. Como resultado, quase 130 mil
judeus argelinos imigraram para a França e, desde 1948, 25.681 judeus argelinos
imigraram para Israel.
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A independência da Argélia com a França foi o evento-chave na expulsão
da comunidade judaica. Como resultado do desejo da Argélia e dos
argelinos de juntarem-se à onda de nacionalismo e pan-arabismo que
varria o Norte da África, os judeus não mais se sentiam bem-vindos após a partida francesa. O Código de Nacionalidade Argelino
de 1963 deixou isso bem claro, dando a cidadania argelina como direito
apenas àqueles cujos pais e avôs paternos possuíssem algum status pessoal muçulmano na
Argélia. 24 Em outras palavras, ainda que a Frente Libertadora Nacional
na Argélia fosse conhecida por seu slogan “Um Estado secular democrático”, ela seguia
critérios religiosos rígidos ao dar a cidadania, por isso fortificando
sentimentos anti-judeus e anti-Israel no país.
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Professores e Rabinos da Escola Etz Haim - Oran, 1927
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TUNÍSIA
Histórico
As primeiras evidências documentadas de judeus vivendo onde é hoje
a Tunísia vêm de antes do ano 200.
Após a conquista árabe da Tunísia no século 7,
os judeus viviam em condições satisfatórias apesar de algumas medidas
discriminatórias como algumas taxas.
Em
1948, a
comunidade de judeus tunísios chegava a 105 mil
pessoas, com 65 mil vivendo somente em Tunis.
Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas
alguns exemplos)
Depois que a Tunísia conquistou sua independência em 1956, uma
série de decretos anti-judaicos do governo foram
promulgados. Em 1958, o Conselho da comunidade judaica na Tunísia foi
abolido pelo governo, e sinagogas, cemitérios e quartos judeus antigos
foram destruídos sob alegação de “renovação urbana”.
Em condições similares a dos judeus na Argélia, a ascensão do
nacionalismo tunísio levou a legislações anti-judaicas e, em 1961, fez com que um grande número
de judeus deixasse o país. A situação de instabilidade crescente fez com
que mais de 40 mil judeus tunísios imigrassem
para Israel. Em1967, a população judaica no para 20 mil.
Durante a Guerra dos Seis Dias, os judeus foram atacados em
agitações árabes, e várias sinagogas e lojas foram queimadas. O governo
denunciou a violência e apelou à população judaica para que ficassem,
mas, no entanto, não os proibiu de deixar o país. Logo depois, sete mil
judeus emigraram para a França.
Mesmo em 1982 houve ataques a judeus em
cidades como Zarzis e Ben Guardane.
Hoje, cerca de 2 mil judeus permanecem na
Tunísia.
SÍRIA
Histórico
Os judeus vivem na Síria desde os tempos bíblicos, e a história da
comunidade é mesclada à história dos judeus na terra de Israel. A
população judaica aumentou significativamente após a expulsão dos judeus
da Espanha em 1942. Através das gerações, as principais comunidades
judaicas foram encontradas em Damascus e Alepo.
Em
1943, a
comunidade judaica na Síria tinha 30 mil membros. Esta população era em
sua maioria distribuída entre Alepo, onde
viviam 17 mil judeus, e Damasco, onde viviam 11 mil.
Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas
alguns exemplos)
Em 1945, em uma tentativa de impedir esforços para estabelecer uma
terra natal judaica, o governo restringiu a emigração para Israel, e
propriedades judaicas foram queimadas e saqueadas. Perseguições
anti-judaicas começaram a acontecer em Alepo em
1947, fazendo com que 7 dos 10 mil judeus que
ali viviam fugirem por medo. O governo então congelou as contas bancárias judaicas e confiscou suas propriedades.
Logo após a descoberta de Israel, como registrado no jornal New York Times em 16 de maio de
1948: “Uma política de discriminação econômica
na Síria está sendo posta em prática contra os judeus. ‘Virtualmente, todos’ os cidadãos judeus civis
empregados pelo governo sírio foram demitidos. A liberdade de movimentos
foi ‘praticamente abolida’. Postos especiais de
fronteira foram estabelecidos para controlar o movimento dos judeus.”
Em 1949, os bancos foram instruídos a congelar
as contas dos judeus e confiscar todos os seus pertences. Ao longo dos
anos que se seguiram, o padrão contínuo de estrangulamento político e
econômico fez com que um total de 15 mil judeus deixassem a Síria, 10 mil
dos quais emigraram para os EUA e outros 5 mil
para Israel.
IÊMEN e ÁDEN

Família iemenita estudando hebraico
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Histórico
Os judeus do Iêmen têm várias lendas relacionadas com a sua
chegada ao país, sendo a mais conhecida aquela que diz que eles chegaram antes da destruição do Primeiro Templo (
587 a
.C). A primeira
evidência histórica da presença de judeus no Iêmen data do século III.
Os judeus começaram a deixar o Iêmen por volta de 1880, quando
aproximadamente 2.500 rumaram para Jerusalém e Jafa.
Mas foi após a Primeira Guerra Mundial, quando o Iêmen se tornou
independente, que o sentimento anti-Judeu no país tornou a imigração
uma necessidade. Leis anti-semitas, que tinham ficado esquecidas por
anos foram trazidas à tona (por exemplo, os judeus não podiam mais
andar nas calçadas ou andar a cavalo). Em um tribunal, as evidências de
um judeu não eram aceitas diante das evidências de um muçulmano.
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Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas
alguns exemplos)
Em 1922, o governo do Iêmen re-introduziu uma antiga lei Islâmica
que exigia que órfãos judeus menores do que 12 anos fossem convertidos ao
Islamismo. Quando um Judeu decidia emigrar, ele deveria deixar todas as
suas posses. Apesar disso, entre 1923 e 1945, um total de 17 mil Judeus
Iemenitas deixaram o país e foram para a Palestina.
Após a Segunda Guerra Mundial, milhares de outros judeus iemenitas
queriam migrar para a Palestina, mas o Livro Branco dos britânicos ainda
estava em vigor e aqueles que deixassem o Iêmen acabariam em morros
abarrotados de gente em Áden, onde revoltas
graves aconteceram em 1947 depois que as Nações Unidas decidiram pela
partição. Muitos Judeus foram mortos e o bairro Judeu foi completamente
incendiado. Apenas em Setembro de 1948 que as autoridades britânicas em Áden permitiram que os refugiados fossem para Israel.
Em 1947, após a decisão pela partição, revoltosos Muçulmanos
deram início a uma sangrenta perseguição em Áden que matou 82 Judeus e destruiu centenas de casas Judias. A comunidade
Judaica em Áden, que contava com 8 mil Judeus em 1948, foi forçada a fugir. Até 1959
mais de 3 mil já haviam chegado
em Israel. Muitos
fugiram para os Estados Unidos e Inglaterra. Atualmente não há Judeus
remanescentes em Áden.
Na mesma época da fundação de Israel, a comunidade Judaica no Iêmen
estava economicamente paralisada, já que a maioria das lojas e negócios
judaicos foi destruída. Essa situação cada vez mais perigosa levou a
emigração de toda a comunidade Judaica Iemenita – quase 50 mil Judeus –
entre Junho de 1949 e Setembro de 1950, na chamada operação
"tapete mágico". Uma emigração em menor escala foi permitida
até 1962, quando uma Guerra civil trouxe um final abrupto ao êxodo
Judaico.
Esse é mais um exemplo do deslocamento de toda uma comunidade Judaica
de suas raízes ancestrais em países árabes. É estimado que aproximadamente
mil Judeus vivam atualmente no Iêmen. Eles são mantidos como reféns, em
péssimas condições e não lhes é permitido deixar o país.
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Judeus do Iêmen fogem do país
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MARROCOS

Menino celebrando seu Bar Mitzva à caminho da sinagoga com seus
familiares e amigos, Fez, 1940.
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Histórico
Os judeus apareceram pela primeira vez em Marrocos há mais de
dois milênios, viajando em parceria com negociantes fenícios. A
primeira colonização dos judeus ocorreu em
568 a
.C. quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém.
Decretos discriminatórios e
violações dos direitos humanos
(apenas alguns exemplos)
Por volta de 1948, essa antiga comunidade judaica, a maior na
África do Norte, contava 265 mil. Em junho de 1948, após a constituição
do Estado de Israel, manifestações sanguinárias em Oujda e Djerada mataram 44 judeus e deixaram outros feridos.Naquele mesmo ano, um boicote
econômico não oficial foi incitado contra os judeus marroquinos.
A imigração para Israel iniciou com a iniciativa de pequenos grupos que
chegaram na época da Independência de Israel. Entretanto, a maior
imigração, que trouxe mais de 250 mil judeus marroquinos para Israel,
foi induzida por medidas anti-judaicas executadas em resposta a constituição do Estado de Israel. Em 4 de junho de 1949, manifestações apareceram ao
norte de Marrocos matando e ferindo dezenas de judeus.Logo após, os
judeus começaram a deixar Marrocos.
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Durante os dois anos entre 1955 e 1957, mais
de 70 mil judeus marroquinos chegaram
em Israel. Em
1956, Marrocos declarou sua
independência, e a imigração de judeus para Israel foi suspensa. Em
1959, atividades sionistas tornaram-se ilegais
em Marrocos Durante
esses anos, mais de 30 mil judeus fugiram para a França e para as
Américas. Em
1963,
a
proibição na emigração para Israel foi
revogada trazendo mais 100 mil para a costa.
Hoje, a comunidade judaica de Marrocos diminuiu em menos de 10% do
seu tamanho original. Dos 17 mil judeus que restam, 2/3 vivem em Casablanca.
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Mulheres judias em festa com músicos
Fez, Maroccos, 1950.
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LÍBANO
Histórico
Os judeus vivem no
Líbano desde os tempos antigos. O Rei Herodes, O Grande, no século I,
manteve a comunidade judaica em Beirute.
Durante a primeira metade do século XX, a comunidade judaica
desenvolveu-se amplamente devido à imigração da Grécia, Turquia e depois
da Síria e do Iraque.
Decretos discriminatórios e violações dos direitos
humanos (apenas
alguns exemplos)
Houve momentos de manifestação e incitamento durante a
constituição do estado de Israel como foi comunicado no New York Times em 16 de maio de
1948:
“No Líbano, judeus têm sido forçados a contribuir
financeiramente para a luta contra a resolução da partição das Nações
Unidas na Palestina. Atos de violência contra judeus são revelados
abertamente pela imprensa, que acusam judeus de ‘envenenarem poços’ etc.”
Em meados dos anos 1950, aproximadamente sete mil judeus viviam
em Beirute. Comparada
aos países islâmicos, as regras árabe-cristãs que caracterizam a
estrutura política do país conduziam uma política de relativa tolerância
em relação à população judaica. Todavia, por estarem tão próximos do “estado inimigo” Israel, os judeus libaneses se
sentiram inseguros e decidiram emigrar em 1967, fugindo para a França,
Israel, Itália, Inglaterra e América do Sul.
Em 1974, 1.800 judeus permaneciam no Líbano, a
maioria concentrada
em Beirute. A
guerra civil muçulmano-cristã
destruiu o quarto judeu em danificando muitos lares, negócios e sinagogas
judaicas. A maior parte dos judeus libaneses restantes
emigrou em 1976, temendo que a presença da Síria no Líbano impedisse sua
liberdade de emigrar. Hoje, um número estimado de 150 judeus permanecem no Líbano.
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